E se fosse possível “espreitar” a próxima produção do TNSJ?
Ensaios Abertos arrancam a 24 de março, com a presença de António M. Feijó, e terão mais duas sessões com Pedro Mexia e Ana Luísa Amaral.


2017.03.17

“Macbeth parece-me ser tecnicamente a obra mais perfeita de Shakespeare”, diria o escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa. É precisamente esta peça – que é considerada, por muitos, como a “obra maldita” do “Bardo” – que o Teatro Nacional São João (TNSJ) estreia no início de junho e que contará com João Reis e Emília Silvestre nos papéis principais. Enquanto os atores e equipa técnica “mergulham” no universo shakespeariano, o TNSJ abre a porta dos ensaios, convidando todos os interessados a conhecerem, debaterem e refletirem sobre MacBeth.

A iniciativa Ensaios Abertos assume-se como uma oportunidade para os estudantes de teatro, mas também de outras artes, acederem à intimidade do processo de trabalho e construção de uma peça de teatro e assistirem à discussão que se trava em torno de um texto dramático. O primeiro momento acontece no dia 24 de março, no TNSJ, e contará com a presença de António M. Feijó (professor de literatura inglesa e americana e vice-reitor da Universidade de Lisboa). Entre as 15h00 e as 19h00, o ensaísta vai refletir sobre a obra do dramaturgo inglês, tendo ele próprio já traduzido as peças Hamlet (encenado por Ricardo Pais em 2002) e Noite de Reis (espetáculo de Ricardo Pais, estreado em 1998).

A segunda sessão dos Ensaios Abertos, que estão integrados no seminário Escritas, Reescritas, Traduções – iniciativa lançada pelo TNSJ no início da temporada – está agendada para dia 5 de abril e terá a orientação de Pedro Mexia. Durante a tarde, entre as 15h00 e as 19h00, o Mosteiro de São Bento da Vitória acolhe as reflexões do poeta e crítico português que vai analisar a tragédia de Shakespeare através da lente do cinema, lendo as imagens em movimento de adaptações como as de Orson Welles ou Akira Kurosawa.

Já no dia 18 de abril, é a vez da poetisa Ana Luísa Amaral dirigir o terceiro e último momento desta iniciativa. Também entre as 15h00 e as 19h00, no Mosteiro de São Bento da Vitória, a professora de literatura e tradutora dos sonetos de Shakespeare aborda MacBeth tanto sob a perspetiva da problemática do género, como numa ótica eminentemente política. Importa relembrar que, no ano passado, Ana Luísa Amaral orientou o seminário Shakespeare 400 sobre a obra do “Bardo”. A entrada nos Ensaios Abertos é gratuita, mas está reservada a um número limitado de participantes. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas através do e-mail oficinas@tnsj.pt.

O “primeiro Shakespeare” de Nuno Carinhas
Sófocles, Corneille, Brecht, Beckett, Pirandello, Tchékhov, Cocteau ou Brian Friel. Desde o teatro clássico ao mais contemporâneo, o reportório de Nuno Carinhas, diretor artístico do TNSJ, enquanto criador teatral está recheado de grandes obras e dramaturgos. Agora, quando se assinalam mais de 20 anos desde a sua primeira encenação no TNSJ e quase oito anos como diretor artístico da instituição, Nuno Carinhas “enfrenta” MacBeth, a sua primeira incursão ao universo de Shakespeare. A seu lado, estará um elenco de dez atores para o ajudar a dar vida à peça onde encontramos o mais sinistro dos protagonistas shakespearianos, uma “formidável máquina da morte”.